Educação na Era Digital: e se a escola fosse realmente educativa?
- Daiana Tek

- 6 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Uma conversa necessária... Vivemos a era em que sabemos mais do que nunca — e, ao mesmo tempo, aprendemos menos do que deveríamos. Em 2023, cada pessoa consumiu, em média, o equivalente a 74 gigabytes de informação digital por dia (IDC, 2023). Mas isso não significa que transformamos informação em conhecimento.

O pedagogo espanhol Ángel I. Pérez Gómez (2015) já nos alertava: “A escola não pode competir em quantidade de informação, mas deve ensinar a dar sentido a ela.”
Escola tradicional x Escola educativa
Escola tradicional:
Currículo fragmentado, baseado na memorização.
Avaliação punitiva.
Professor como transmissor.
Escola educativa (Pérez Gómez, 2015):
Ensinar a aprender a aprender.
Desenvolver autonomia, criticidade e ética.
Valorizar processo tanto quanto resultado.
Professor como tutor, mentor e guia.
Ou seja, a escola educativa forma sujeitos capazes de se auto educar, prontos para navegar no mundo digital sem se perder no excesso.

Dados para refletirmos:
Apenas 39% das escolas públicas brasileiras têm internet adequada para fins pedagógicos (INEP, 2022).
70% dos jovens dizem que a escola não os prepara para a vida digital (UNESCO, 2023).
Em contrapartida, 87% dos professores relatam dificuldade em adaptar práticas avaliativas à era digital (Fundação Lemann, 2022).
O recado é claro: estamos vivendo uma crise de sentido na educação.

Caminhos de transformação (Pérez Gómez, 2015)
Nova cultura curricular → currículo vivo, interdisciplinar, conectado a problemas reais.
Avaliação formativa → feedback contínuo, autoavaliação e coavaliação.
Professor como tutor → não “quem fala”, mas quem provoca, orienta e guia.
Ambientes híbridos → integração crítica entre espaços físicos e digitais, dentro e fora da escola.

Conexão com o meu método REDIM - Quando aplico essa leitura aos 5 pilares REDIM, fica evidente:
Relacionamento → aprender em rede, trocando experiências reais.
Estratégia → currículos que têm propósito, não apenas conteúdos decorados.
Disciplina → avaliação e feedback que regulam sem punir.
Inovação → ambientes híbridos, tecnologia crítica, novas linguagens.
Mentoria → professores como tutores, líderes como guias.

Agora pense comigo:
Você lembra da última prova que fez na escola? Provavelmente, sim.
Mas você lembra para que servia aquele conteúdo que decorou?
Na maioria das vezes, a resposta é não.
É por isso que Pérez Gómez insiste: "precisamos parar de treinar pessoas para acertar testes e começar a formá-las para navegar a vida real."
1 - Se a escola não pode competir em informação, como ela pode garantir relevância. Informação está em todo lugar: nos buscadores, nas redes sociais, nas plataformas digitais. O diferencial da escola não pode ser quantidade, mas qualidade. Relevância se constrói quando o aprendizado faz sentido para a vida, conecta-se ao cotidiano e prepara para lidar com dilemas reais.
Minha visão como mentora e líder: a escola precisa ensinar a pensar criticamente, ajudando os alunos a interpretar, selecionar e aplicar informações de forma ética e consciente. Mais do que acumular dados, é formar a competência de transformar informação em sabedoria.
2 - O que você mudaria primeiro: currículo, avaliação ou papel do professor? Essa é uma escolha difícil, mas necessária. O currículo muitas vezes não dialoga com a realidade; a avaliação ainda pune mais do que desenvolve; e o professor continua sendo visto como transmissor, quando deveria ser mentor.
Minha visão como mentora e líder: eu começaria pela avaliação. Quando transformamos a forma de avaliar — com feedback, autoavaliação e foco no progresso — mudamos também a forma de ensinar e de aprender. Isso cria um efeito em cadeia: currículo mais vivo e professores mais próximos do papel de mentores.
3 - Onde você mais aprende hoje: na escola, no trabalho ou nas redes? A aprendizagem não acontece mais restrita à sala de aula. Aprendemos com projetos, com desafios profissionais, com interações nas redes. Cada espaço tem seu valor, mas o ponto é: a escola precisa dialogar com essas outras formas de aprender.
Minha visão como mentora e líder: é integrar os ambientes híbridos — unindo sala de aula, mundo do trabalho e redes digitais. A escola não deve negar a força das redes, mas ensinar a usá-las de modo crítico, colaborativo e produtivo. Assim, cada espaço amplia o outro.
A Educação na Era Digital não é sobre tablets, Wi-Fi ou plataformas. É sobre sentido, ética e sabedoria. É sobre transformar dados em decisões, informação em ação, conhecimento em humanidade.

Se você acredita que a escola precisa ser educativa e não apenas instrutiva, curta, comente e compartilhe. Vamos espalhar essa reflexão — porque o futuro da educação não pode esperar.
Tek abraço, Daiana Tek
Referência: PÉREZ GÓMEZ, Ángel I. Educação na era digital: a escola educativa. Porto Alegre: Penso, 2015.
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