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Nenhuma Mulher A Menos!

Eu Daiana Tek nasci em uma família de mulheres fortes. Cresci cercada de exemplos reais de coragem, dignidade e independência. Não fui educada por um pai machista e não cresci em um ambiente que diminuía mulheres. Fui educada para buscar o meu lugar no mundo com a mesma legitimidade que qualquer homem. E talvez por isso tenha sentido ainda mais o choque entre o que aprendi em casa e o que encontrei fora dela. O Brasil insiste em lembrar, dia após dia, que igualdade familiar não neutraliza a violência social.

Os números de 2025 deixam isso evidente. Segundo os levantamentos mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher segue sendo vítima de feminicídio a cada 7 horas no país. As ocorrências de violência doméstica cresceram mais de 10 por cento no primeiro trimestre do ano. O Brasil continua, em 2025, entre os países com maior taxa de feminicídios do mundo. Essa realidade não é nova. Ela é sistemática.

Nenhuma mulher a menos.

E eu falo a partir da estatística e também a partir da experiência. Em todas as empresas por onde passei sofri assédio moral e sexual. Em todas. E como a maioria das mulheres vivi o que tantas vivem: silêncio institucional, culpabilização velada, descrença e normalização da violência. Só quando fundei a minha própria empresa, construindo um ambiente regido por valores e não por permissões culturais ultrapassadas, essa violência cotidiana parou. Mas a luta não terminou ali. Mesmo ocupando cargos de liderança e mesmo com resultados consolidados ainda existem homens que tentam me calar pela minha capacidade e pelo medo do que represento.


A verdade é dura, incômoda e antiga. Mulheres vêm sendo odiadas desde que o mundo é mundo. O patriarcado não precisa se explicar. Ele apenas se replica. E parte dessa réplica está em transformar nossas dores em piada, nossas emoções em fraqueza e nossos ciclos biológicos em munição. Piadas sobre menstruação, comentários sobre TPM e ridicularização da saúde mental feminina são usadas como ferramentas para nos manter em um lugar de deslegitimação permanente.


Enquanto isso os dados mostram que cada vez mais homens buscam atendimento psicológico. No entanto essa busca é tratada com normalidade e acolhimento, enquanto a mulher que cuida da própria saúde mental continua sendo taxada de exagerada ou instável. Quando um homem faz terapia, ele é elogiado pela coragem. Quando uma mulher faz, ela é rotulada como frágil. Quando ele usa medicação, é visto como alguém que se cuida. Quando ela usa, vira motivo de chacota. A diferença não está no comportamento. Está nas permissões sociais.


A sociedade ainda reforça a ficção de que mulheres não conseguem conviver, trabalhar ou construir juntas. Essa narrativa de rivalidade feminina não nasceu entre mulheres, nasceu da necessidade de dividir para controlar. Quanto mais mulheres se unem, mais as estruturas tremem. Por isso tantos discursos insistem em criar disputa, rejeição e competição onde não existe incompatibilidade. Essa rivalidade não reflete nossa essência, reflete o medo de que percebamos a força que existe quando caminhamos lado a lado.


Nós temos direitos. Temos deveres com a nossa própria história e com as que virão depois. Temos cicatrizes que o mundo finge não ver e temos vozes que ele tenta calar desde sempre. Temos conquistas que vieram da resistência e não da concessão.


Nenhuma Mulher a Menos não é um slogan. É um pacto. É o compromisso de não normalizar o que sempre tentaram nos impor. É a recusa em aceitar que nossa existência seja reduzida à sobrevivência. É a lembrança de que cada vez que uma de nós cai o sistema respira aliviado e cada vez que uma de nós se levanta ele perde força.


Eu escrevo porque vivi a violência que tantas vivem. Escrevo porque sobrevivi ao que tantas não sobreviveram. Escrevo porque fui educada por mulheres fortes e cresci acreditando no que é justo e isso me obriga moralmente a não me calar.


Escrevo porque enquanto houver uma única mulher a menos todas nós seremos menos.


Nenhuma mulher a menos. Hoje. Amanhã. Sempre.


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